No âmbito do convite da Convergência em Permacultura, que se realizou entre os dias 23 e 26 do passado mês de Outubro, a iniciativa Aveiro em Transição teve a oportunidade de apresentar, com muita alegria e entusiasmo, o seu percurso e as atividades até agora desenvolvidas. Esta apresentação estava enquadrada numa série de apresentações de outras iniciativas ali presentes que mostraram também o evoluir das suas atividades, ideias e anseios, os obstáculos e as estratégias para os ultrapassar de modo criativo, unificando o grupo. Estes são desafios comuns a muitas iniciativas que, no seu início, colhem um grande fulgor da parte dos seus mentores e participantes e que, por vezes, têm um percurso intermitente.
Esta experiência foi muito enriquecedora tanto como um exercício de reflexão e de síntese sobre a atividade do nosso grupo, bem como nos permitiu vivenciar diferentes momentos de partilha com as outras iniciativas ali presentes e conhecer projectos inovadores.
O grupo Aveiro em Transição iniciou a sua apresentação, feita a quatro vozes, com um regresso aos movimentos e aos grupos informais que estiveram na base da sua criação, em Junho de 2013, recordaram-se os motes de desafio (motivações e cidadania), aliados a uma troca de compotas, dirigidos a cidadãos de vários quadrantes, que, pela sua rede de relações de amizade ou de afinidade em relação às temáticas, se encontraram para reflectirem sobre os seus sonhos para uma cidade em transição.
Gostamos de interpretar o grupo de uma forma orgânica, destacando quatro vertentes:
1.    Respiração, função mantida pelos pulmões, o que corresponde aos núcleos de trabalho temáticos e à reflexão colectiva, componente essencial à vida do grupo;
2.    Consciência, assegurada pelo cérebro, neste campo incluímos as ferramentas, os conhecimentos e as relações estabelecidas nos contextos de formação ou de encontros, fundamentais para a concepção, a reinvenção e a concretização dos sonhos;
3.    Expiração, contributos para a comunidade, ou seja, o que devolvemos, como as Oficinas de Partilha de Saberes, o grupo Mães em Transição, a Educação Livre de Aveiro, o grupo da Mobilidade, as Tertúlias e o Cinema, entre outros.
4.    Diafragma, ou o que nos sustenta: parcerias e recursos partilhados pela comunidade, novas ligações que nos dão alento e que enriquecem este projecto.
A actividade tem sido desenvolvida através de diferentes grupos de trabalho.
O grupo da Mobilidade, no âmbito da iniciativa Vamos de Bicicleta!, promoveu acções para ensinar a andar de bicicleta e realizar percursos em segurança e uma tertúlia sobre o novo código da estrada aplicado aos velocípedes. O grupo acolheu novos membros recentemente, estando a planear vários projectos em parceria, iniciando um mapeamento da cidade, que identificará zonas sensíveis e pontos bike-friendly, como ferramenta base para o restante trabalho.
A Oficina de Partilha de Saberes, evento gratuito que ocorre na primeira segunda-feira do mês, colheu uma grande adesão de diferentes pessoas que queriam experimentar novos saberes, sabores e modos de confecção, debater práticas parentais e partilhar preceitos ancestrais, pensamentos pertinentes. Através de parcerias, demos visibilidade a grupos e a projectos já existentes, assim como a participantes, permitindo dar a conhecer as suas actividades perante novos públicos.
O grupo Mães em Transição reúne pais, mães e outras pessoas para quem a parentalidade assume um papel importante. Através dos Piqueniqueternura mensais tem-se construído uma rede de suporte às famílias, nos quais se têm debatido temas pertinentes escolhidos pelos participantes. A partir deste grupo nasceu o desafio de criar um projecto educativo alternativo, tendo sido criado o grupo de trabalho ELA – Educação Livre de Aveiro. O ELA nasceu em Fevereiro de 2014 e tem dinamizado reuniões regulares de trabalho e de lazer, em espaços ao ar livre ou que possam oferecer condições de acolhimento, para pais, filhos e profissionais de várias áreas. Um dos momentos-chave que proporcionou o alargamento da reflexão sobre a ideia de base deste grupo aconteceu com o encontro Liberdade para Aprender, que contou com a participação do Professor José Pacheco, o qual acolheu um nível de adesão inesperado. Aproveitando a elevado número de pessoas de diferentes vertentes da pedagogia, o grupo promoveu posteriormente debates sobre três temas basilares, homeschooling, mudar a escola e comunidades de aprendizagem, através da aplicação da metodologia world café.
No final de cada actividade promovemos uma celebração com chá, compotas e mel caseiro oferecidos pelo grupo da iniciativa, convidando a que todos os participantes levem a sua caneca para este momento de breve confraternização.

Aveiro em Transição